MÚSICA

 

Sexto álbum da discografia do poeta, cantor e compositor paraibano, Júnior Cordeiro, Vênus Philipeia revela a face mais crua e real da poesia de um artista que, por tendências empíricas e por vontade própria, enfoca seu universo de criação muito mais em ambiências míticas, místicas, transcendentes e metafísicas. Não obstante o seu eixo temático ter, em todos os discos anteriores, pontos vivos de total entrega ao misticismo, tendo como supra sumo a memória coletiva, o compositor caririzeiro, desta vez, joga-se de peito aberto nas veias da realidade mundana e profana das capitais brasileiras contemporâneas, estabelecendo um diálogo com os ouvintes na mesma atmosfera em que um cronista estabelece com os seus leitores.

João Pessoa, antiga Philipeia de Nossa Senhora das Neves, cidade há muito vivida e poetizada por Júnior Cordeiro, é a grande seara para todas as canções germinarem e ganharem cores e formas absurdamente sensuais, eróticas e notívagas. Os ipês, as acácias, as praias, os bairros  e bares de Philipeia servem de amparo para o corpo e a mente do artista, que relata, música a música, intensas experiências imersas no campo dos sentires e dos prazeres, das venturas e desventuras que fizeram da capital paraibana uma grande noite, uma grande mulher, uma grande VÊNUS.  Tal figura mitológica, atestando o regresso e o apego do artista à cultura clássica, acaba por deixar os rastros místicos de discos anteriores sem, entretanto, afastar a obra atual do direcionamento real e autobiográfico das suas canções.

Musicalmente, Vênus Philipeia mantém-se dentro de perspectivas dos trabalhos anteriores de Júnior Cordeiro. O Rock ‘n’Roll é pedra angular, fundamental. O blues e a psicodelia dão a tônica ácida e etílica que a temática do disco propõe. De repente aparecem o country, a música eletrônica e até ritmos latinos como a salsa. A música nordestina, é claro, como em toda obra do artista, não fica de fora, e intensifica ainda mais a profusão de ritmos e cores que caem da grande Vênus, da João Pessoa música, da João Pessoa mulher.

Salve a Philipeia!