MÚSICA

 

A vida humana é um imerso ir, um infinito porvir onde estamos sempre migrando, viajando fisicamente sobre a Terra ou mesmo em paragens mentais por nós desconhecidas. Carregamos muitos símbolos ancestrais nesse migrares, atavismos que permanecem por milênios no inconsciente coletivo e que se reproduzem magicamente frente ao nosso “estar no mundo”.

Infinito Migrar, oitavo disco do poeta, cantor e compositor brasileiro, Júnior Cordeiro, vem a tentar palmilhar os caminhos da natureza dos povos migrantes, dos caminhadores que se destinaram a desbravar as lonjuras do planeta, deixando para trás saudades e memórias, mas levando vontades e sonhos.

Em mais um álbum conceitual, o artista pretende fazer uma ode aos movimentos migratórios, sabendo da grande contribuição das migrações nas diversas formações culturais de diferentes cantos do planeta. Neste contexto, guarda lugar especial para as invasões/migrações árabes na península ibérica, o que incidiu diretamente na gestação da cultura brasileira, via colonizador.

A sonoridade do disco abarca o que Júnior Cordeiro tem como maior peculiaridade: a unção do Hard Rock com a música nordestina, desta vez notadamente imersa na sua matriz mourisca, arabesca. O blues, a Psicodelia e o Rock Progressivo também se misturam aos ponteios da viola do nordeste, que aparece recheada de acentos da cítara árabe, sua ancestral tão próxima.

 

Migremos, infinitamente!