MÚSICA

 

O título do sétimo disco de Júnior Cordeiro, segundo o próprio artista, vem, jocosamente, encabeçado pelo sinal de cerquilha (#), e assim deve ser lido (e entendido). A ironia parte da premissa de que, num mundo cada vez mais virtualizado e “virtualizante”, onde o universo das redes ordenam as interações sociais de indivíduos cada vez mais fechados em suas “zonas de conforto” e ouvindo apenas os ecos de suas próprias vozes, reduzindo suas existências a um narcisismo degradante, a cerquilha ganha uma importância nos discursos diários de pensamentos e ações como a validá-los para ganharem força e abrangência. As pessoas estão ganhando um medo de ficar de fora das conexões, gerando prisões virtuais de onde nunca conseguem sair.  Uma verdadeira ação socialmente física, afetiva, politizada e de forma humanizada é evento cada vez mais distante. É sobre esse ambiente social catastrófico que assola a ação do homem atual que Júnior Cordeiro, não obstante sua inclinação para temas místicos e filosóficos, finca seu fio temático na sua sétima aventura sonora, centralizando seu pensamento na direção de apontar aberrações no comportamento humano que se congela envolto numa dependência do mundo virtual e do extremo consumo.

Sobre a aventura sonora, a sua já conhecida alquimia de Hard Rock e Rock Progressivo/Psicodélico  com brasilidades, sobretudo o baião (desta vez incluindo o samba como elemento surpresa), dão a tônica do conjunto musical da obra. As letras ácidas de sempre se aliam mais uma vez aos fortes e pesados riffs de guitarra e ponteios de viola nordestina, sempre com a maior naturalidade possível. 

O disco é um marco temporal, atesta 15 anos de sua carreira. O já conhecido misticismo do artista, dessa vez, aparece com o número 7 na capa do disco e, quiçá, em algumas mensagens subliminares nas letras, para marcar sua sétima jornada no campo da criação musical.