O ARTISTA

Juntar Forró com Rock Pesado, eis a alquimia chave da música de Júnior Cordeiro -- poeta, cantor e compositor. Essa junção de gêneros (neste caso, junção de ideologias, pois os dois segmentos transcendem o puro conceito de “estilos” e atingem a ideia de culturas musicais) não é nada nova na cena brasileira, o que é nova é a maneira com que esse paraibano atinge esse diálogo tão naturalmente.

O Bruxo do Cariri Velho, como ficou conhecido no meio musical, viaja por praticamente todos os segmentos de música nordestina, da toada ao baião, bem como de vários segmentos do bom e velho Rock’n’Roll, desde o Progressivo/Psicodélico ao Heavy Metal, estabelecendo um acento musical forte, que o próprio artista conceitua como Rock-Baião.

Sua poética, ao mesmo tempo que denuncia fortes influências dos cordelistas e repentistas nordestinos, carrega sutis traços dos mais diversos poetas literários.

Com dez anos de carreira, Júnior Cordeiro conseguiu estabelecer uma forte característica: a peculiaridade dos temas abordados em sua discografia. O Nordeste mítico e místico, a herança ibérica, a magia popular, os delírios messiânicos, o catolicismo rústico e sertanejo, o ocultismo ocidental, a loucura e tantos outros intricados assuntos, juntam-se numa ideia fixa de verificação e denúncia dos males da coisificação do homem na pós-modernidade líquida e globalizante, num campo imagético rico e fértil, onde o imaginário coletivo está sempre presente e revigorado.

Desde seu primeiro disco (Carrascais/2006), passando por O Lago Misterioso/2011, Capa Preta/2013, Sonhos, Sertão & Loucura/2016, Céu, Hades e outros Porvires/2018 até desembocar no seu mais novo trabalho,Vênus Philipeia/2019, Cordeiro navega no seu mar de informações musicais de forma sólida e consciente, sempre audacioso e destemido no campo da criação.